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A Voz do Cordel com as crianças na sala de aula

20/12/2008

“O cordelista busca transmitir seu descontentamento frente à desordem planetária, isso porque uma das principais funções da Literatura de Cordel é fazer a denúncia, como se fosse um repórter, um jornalista. Ademais ele está sempre a transmitir seus sonhos, mostrando seu lirismo colorido de esperança, sem deixar de fazer uma belíssima apologia às raízes nordestinas. Dentro de uma concepção pedagógica intertextualizada o Cordel pode servir como instrumento de apoio para desenvolver no aluno o gosto pela leitura, dada a sua ludicidade, poder de síntese, abrangência temática e fácil acesso“.

Acompanhe a seguir uma síntese remixada de matéria publicada pela Ronda Cultural* que pode ser útil para os admiradores e estudantes interessados na nossa Literatura de Cordel:

A obra atual do cordelista Antônio Barreto

Por Diogo Rocha

Cordel, uma arte popular trazida pelos colonizadores Ibéricos para o Brasil por volta do século 17. Esta arte chegou aqui através da oralidade porque naquela época não havia a impressão de livros. Então o cordel era falado. Depois surgiram os repentistas, emboladores, contadores de histórias e por fim os cordelistas.

O primeiro a escrever um folheto de cordel foi o paraibano Leandro Gomes de Barros por volta de 1893, com a chegada das tipografias no Recife. Daí o folheto de cordel tornou-se realidade no Brasil e continua sendo publicado até os dias atuais.

Segundo o cordelista Antônio Barreto, o termo “cordel” deriva-se da palavra cordão, uma vez que os folhetos eram comercializados em Portugal pendurados em barbantes, ou seja, em cordéis. O cordel é um livro de custo baixo, geralmente vendido pelos próprios autores. Esses folhetos de cordel fazem grande sucesso em estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Isto ocorre em função do preço baixo, do tom humorístico de muitos deles e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região.

Um dos poetas da literatura de cordel que fez mais sucesso até hoje foi Leandro Gomes de Barros, (1865-1918). Acredita-se que ele tenha escrito mais de mil folhetos. Além de Leandro, podemos citar os poetas José Alves Sobrinho, Homero do Rego Barros, João Martins de Athayde, Silvino Pirauá, Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva), Téo Azevedo. Zé Melancia, Zé Vicente, José Pacheco da Rosa, Gonçalo Ferreira da Silva, Chico Traíra, João de Cristo Rei, Ignácio da Catingueira.

No caso particular de Antonio Barreto “essa herança do cordel vem da zona rural, no sertão, onde nasci e vivi durante toda minha infância. Ali eu tive a sorte de conviver com as mais variadas formas de manifestações populares: vaquejada, bumba-meu-boi, tourada, samba de roda, tiração de argola, pau de sebo, corrida de saco, cantoria de viola, venda de folhetos de cordel nas feiras, forró, festas de São João. Em seguida, entrei em contato com a literatura de cordel de Patativa do Assaré, Leandro Gomes de Barros, Rodolfo Coelho Cavalcanti, Bulu-Bule, Franklin Maxado, Caboquinho, João Ramos, Jotacê Freitas e Antonio Vieira”.

Vale salientar que o cordel atualmente segue uma outra trajetória. Os cordelistas do presente estão preocupados com outros temas, ou seja, com assuntos atuais vinculados à urbanidade, já que o êxodo rural nas últimas décadas foi avassalador e esses poetas populares estão vivendo nas grandes cidades, sem perder as suas origens.

De acordo com Antonio Barreto, atualmente o cordelista busca transmitir seu descontentamento frente à desordem planetária, isso porque uma das principais funções da Literatura de Cordel é fazer a denúncia, como se o cordelista fosse um repórter, um jornalista. Ademais ele está sempre a transmitir seus sonhos, mostrando, em geral, seu lirismo colorido de esperança, sem deixar de fazer uma belíssima apologia às raízes nordestinas. Devemos entender que o cordel, dentro de uma concepção pedagógica intertextualizada, pode servir como instrumento de apoio para desenvolver no aluno o gosto pela leitura, dada a sua ludicidade, poder de síntese, abrangência temática e fácil acesso.

Antonio Barreto também alerta para o modismo, visto que muitas pessoas começam a tomar oficinas de cordel e pensam que já são cordelistas. Mas o verdadeiro cordelista precisa ter muita responsabilidade, fazer o cordel com o coração. Uma coisa é aprender a fazer alguns versos de cordel, outra coisa é ter uma produção respeitada pela crítica.

Portanto o cordel continua vivo, sendo divulgado de uma forma mais abrangente, inclusive com ajuda da Internet. Além de estar sendo pesquisado não somente por alunos secundários e universitários, o cordel vem sendo largamente estudado por pesquisadores também vindos de outros países, a exemplo das professoras/ doutoras Ria Lamiere (Holanda) e Sylvie Debs (Strasbourg/França).

* Resumo de matéria publicada originalmente em 28/05/2009. Confira a íntegra na Ronda Cultural.

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9 Comentários leave one →
  1. Claudete Aparecida Contessoto permalink
    02/03/2011 9:52

    Parabéns ao Cordel de Antonio Barrreto falando sobre o BBB, é isso mesmo, precisamos mostrar a eles que existem muitos brasileiros que pensam, não gostam de baixaria na TV e estão preocupados com a educação do povo.
    Quem sabe um dia conseguiremos banir da TV esse tipo de programação.

  2. Maria do Socorro Zenaide Campos permalink
    27/01/2011 14:02

    Barreto, parabéns por seu comentário CONTRA o BBB, êta palhaçada grande, sem querer ofender essa honrada profissão de palhaços.Estou cem por cento a seu favor.
    Socorro Zenaide

  3. Nilza Nunes permalink
    01/08/2010 17:09

    Parabéns, Antonio Barreto.
    Sou professora de Geografia e trabalho muito com o Codel em sala de aula, e ficou muito mais fácil meus alunos entenderem como o cordel também é uma importante ferramenta de crítica social com os seus maravilhosos versos.

  4. 22/03/2010 13:46

    A arte de um povo encantado, que conta!

  5. 03/02/2010 11:41

    Parabéns Barreto. Publiquei o seu cordel “Big Brother Brasil, um programa imbecil” no meu blog. Compartilho o mesmo sentimento.

  6. José Augusto permalink
    02/02/2010 8:33

    adorei. recebi uma e-mail de um amigo, contendo o seu poema de cordel sobre o BBB e é exatamente o que penso a respeito. é uma lavagem cerebral, mesmo, e um estímulo à sacanagem, sem precedentes.
    Um grande abraço do seu já admirador, José Augusto.

  7. 15/11/2009 10:33

    Que privilégio ser contemporânea e amiga deste cordelista talentoso e lindo! Beber da sua poesia mata a minha fome de beleza, sensibilidade e verdade…Obrigada por nos oferecer a pureza do sertão e a aridez/doçura da cidade grande, em doses de PURA POESIA.Amo você e sua poesia,incondicionalmente!Abraço ROSA!!!Cris Maria

  8. 19/08/2009 19:33

    oiii!aqui é Emanuelle que estuda na escola Educandário… que eu comprei o livro de cordel/O BAHIA E O VITÓRIA NA LÍNGUA DE DOIS TORCEDORES APAIXONADOS e a minha sala também fez um cordelpara o FOCLORE apesar disso a pró mandou a gente também fazer em trio um codel e é isso parabéns vc é o melhor cordelista que eu já conhece muito obrigado espero te encontra novamente e que deus te abençoe…

  9. 20/05/2009 0:46

    parabens á sensibilidade poetica nordestina deste Baiano/barbarense arretado. Suas obras nos transportam no tempo e nos levam á viagens inimaginaveis – ás vezes inusitadas – nas abordagenssaudosistas e nos contos carregados de veracidades regionais, envolvendo “causos” lendários com personagens conhecidos da cidade de Santa Barbara. Uma obra prima, digna de referencia academica. Mas, sem duvida o grande trunfo destes trabalhos está noresgate da cultura popular como instrumento de reeducação e valorizacao dos aspectos regionalisticos, bem como recursismo didático a ser exploradonas escolas como fator de motivação ao exercicio da criatividade literaria.A vastidão dos assuntos abordados, desde os mais remotos relatose a sua tradicional comicidade, até a abordagens contemporaneas, com alusões técnicas, ortograficas, realidade virtual, e fatos importantes da vida moderna, envolvendo esporte, politica, religião e personalidades. Nada escapa ou passa desapercebido aos olhos e aos ouvidos do Mestre ANTONIO BARRETO.(Gilberto Lima – Salvador/Sta Barbara)

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